quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

#8 50 tons de tudo


Foi em algum dia remoto do ano de 2012 que, na plataforma de espera pelo metrô na estação Paraíso, eu o vi pela primeira vez. Estampada em cores sombrias, a imagem livro gritava para os trabalhadores cansados de São Paulo: "50 tons de cinza". Em três anos morando nessa cidade sanguinária, a troca pelos anúncios de livros, prazos imperdíveis para matrículas em faculdades pagas e cursos exclusivos de idiomas que eu vi é tão rápida quanto deitar na cama depois de um dia exaustivo de trabalho.

Foi por esse motivo que só me dei conta do "fenômeno que conquistou o mundo" quando vi algumas capas abertas no transporte público e, atrás, olhinhos curiosos. Em volta também, é claro, pois à essa altura do campeonato a notícia sobre o conteúdo obsceno do livro já havia se alastrado, e, na falta de um fone de ouvido ou de uma palavra-cruzada para distrair a volta para casa, não se pode perder uma oportunidade de pegar um lance da obra. Acontece que ultimamente a Terra tem girado mais rápido e, quando dei por mim, a estação Paraíso do metrô já havia trocado o banner: "50 tons mais escuros". "Peraí", pensei, "agora a coisa está ficando séria". O fenômeno que conquistou o mundo já estava no segundo volume enquanto eu, presa à minha lista infindável de livros sobre Comunicação. O que não deixava de ser uma ótima oportunidade de mostrar o lado intelectual que todo mundo guarda dentro de si. A moça está lá toda risonha com seu "50 tons de cinza, mais escuros ou seja lá o que" nas mãos? Abra o seu "Teoria da Semiótica", preferencialmente de tons mais coloridos do que os cinzas, e sinta-se feliz por estar abstraindo a verdadeira cultura moderna.

Só que não. Sensualizando com a "Teoria da Semiótica", um flash no movimento no metrô me mostra: "50 tons de liberdade". "Ah", pensei, "então é agora que a coisa chega ao ápice?". Pois decidi que não ia ler nenhum dos três. A saga Crepúsculo já foi o suficiente para eu amar compreender a tendência do romance do século XIX. Mas algemas? Sadomasoquismo? Pornografia explícita? E, peraí, uma senhora se divertindo  com isso na minha frente?

Depois de quase ser levada pela multidão exausta da metrópole no transporte público, lembrei que os maias garantiram o fim do mundo para daqui a dois dias e enfim entendi que tenho uma missão na Terra: dar continuidade aos meus estudos sobre Semiótica. Como: lendo 50 tons de tudo a partir de amanhã. E mais: em público.

Mas antes, preparei 6 motivos incontestáveis para você ler a saga antes de o mundo acabar. Isso segundo fontes, é claro.

1) Sites pornô nunca mais. Dizem por aí que a saga é um livro aberto, e a imaginação muitas vezes pode ser melhor do que a visão.

2) Você é romântica(o)? Tudo bem. Dizem por aí que o amor entre os dois protagonistas é tão fofo, mas tão fofo, que dá vontade de morder. O que você quiser.

3) Orgulho aos desastrados! Dizem por aí que a mocinha é completamente atrapalhada e que não consegue fazer um strip sequer sem se embananar com as roupas. Mas você pode tentar.

4) Edward, ultrapassado. Dizem por aí que o mocinho é um bife. A não ser que você prefira o seu namorado, como eu. Senão, corre grande risco de colocar em xeque o seu relacionamento.

5) A Semiótica: dizem por aí que ler "o fenômeno que conquistou o mundo" pode ser uma ótima oportunidade de compreender os fundamentos e práticas da Comunicação moderna.

6) Dor de cotovelo, não. Dizem por aí que... não, não dizem por aí. O banner da saga na estação Paraíso realmente vai ser trocado logo, logo, e você vai ficar sem ter o que conversar na mesa com quem leu e adorou. A não ser que você queira estudar Semiótica sozinha(o).




2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Hahahahahaha

    Demais!!! É, acho que o livro de Semiótica ficou meio sem graça...
    Adoro nossas fofocas, sem mais! ;)

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E você, o que diz?